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Artigos de Revisão

Vitamina D e doença renal. O que nós sabemos e o que nós não sabemos

Vitamin D and Kidney Disease. What we know and what we do not know

Antonio Jose Inda Filho; Michal Leora Melamed

DOI: 10.5935/0101-2800.20130051

Resumo:

A deficiência de vitamina D é um achado comum em pacientes com doença renal crônica (DRC). A DRC é reconhecida como um problema de saúde pública importante, com elevado risco de morbimortalidade total e cardiovascular. Inúmeras publicações epidemiológicas sugerem que a morbimortalidade nesses pacientes pode estar associada à deficiência de vitamina D. O sistema hormonal da vitamina D é classicamente implicado na regulação do metabolismo ósseo e da homeostase do cálcio; entretanto, há uma grande evidência de que a conversão de 25(OH)D para 1.25(OH)2 tem um papel biológico significante além daquele tradicionalmente descrito. Baseada em atual evidência, esta revisão pretende ressaltar os aspectos clínicos e biológicos relevantes no sistema hormonal da vitamina D especificamente em pacientes com doença renal.

Descritores: 25-hidroxivitamina D2; deficiência de vitamina D; insuficiência renal crônica.

Abstract:

Vitamin D deficiency is common in the chronic kidney disease (CKD) population. CKD has been recognized as a significant public health problem and CKD patients are at increased risk of total and cardiovascular morbidity and mortality. There are increasing epidemiological data suggesting that vitamin D deficiency may play a role in overall morbidity and mortality associated with CKD. The vitamin D hormonal system is classically implicated in the regulation of calcium homeostasis and bone metabolism but there is ample evidence to support the claim that extra renal conversion of 25(OH)D to 1.25(OH)2 has significant biological roles beyond those traditionally ascribed to vitamin D. Based on the current state of evidence this review intends to give an update on novel biological and clinical insights with relevance to the steroid hormone vitamin D specifically in patients with kidney disease.

Descriptors: 25-hydroxyvitamin D2; kidney failure, chronic; vitamin D deficiency.

INTRODUÇÃO

Deficiência/insuficiência de vitamina D é um problema de saúde pública cada vez mais reconhecido na população.1 A doença renal crônica (DRC) tem sido conhecida por ser um fator de risco para o desenvolvimento de deficiência/insuficiência de vitamina D e está associada com aumento da morbi-mortalidade.2 O sistema hormonal da vitamina D está envolvido na regulação da homeostase do cálcio e do metabolismo ósseo, mas potencialmente também tem funções no metabolismo extra mineral através da ativação de receptores extra renais de vitamina D (RVD); e ao longo da última década tem crescido muito o interesse no potencial terapêutico da vitamina D.3

A forma ativa da vitamina D está presente em muitos tecidos que não estão associadas com o metabolismo ósseo ou do cálcio. Com efeito, a 1,25-di-hidroxivitamina D regula a proliferação, diferenciação e apoptose celular em muitas células normais e cancerosas. Estudos epidemiológicos têm demonstrado que a deficiência de vitamina D aumenta o risco de câncer, doença cardiovascular, doença autoimune, diabetes mellitus tipo 2 e doenças infecciosas; no entanto, nesta revisão, vamos concentrar a nossa atenção em destacar novas informações a partir de estudos recentes sobre a deficiência/insuficiência de vitamina D e sua participação na patogênese da doença renal; terapia de reposição de vitamina D e os desfechos na doença renal.

Fontes e metabolismo da vitamina D

Na natureza, a vitamina D pode ser obtida de duas formas - ingestão ou síntese endógena induzida por luz solar na pele (Figura 1). Os seres humanos derivam a vitamina D principalmente a partir da exposição da pele à luz solar e, em menor quantidade, a partir da dieta e suplementos alimentares.4,5 Poucos alimentos contem naturalmente ou são enriquecidos com vitamina D. Por conseguinte, sem consumo regular diário de alimentos naturalmente ricos ou enriquecidos, os indivíduos podem desenvolver deficiência de vitamina D. Na ausência de exposição diária à luz solar, ou com o uso de filtros solares, esta deficiência será ainda maior. A radiação solar ultravioleta B converte p 7-dehidrocolesterol na epiderme em pré-vitamina D3, que é imediatamente convertida em vitamina D3 biologicamente inativa em processo dependente de calor.4


Figura 1. Fontes e metabolismo da vitamina D. UVB: Ultravioleta B; Vitamina D3: colecalciferol; Vitamina D2: Ergocalciferol; 25(OH)D: 25 hidroxivitamina D; 1,25(OH)2D: 1,25 dihidroxivitamina D (calcitriol); PTH: Hormônio Paratireoidiano.



A vitamina D refere-se a dois precursores biologicamente inertes ou pró-hormônios: a vitamina D2 (ergocalciferol) e a vitamina D3 (colecalciferol).5 Elas tem comportamento semelhante e são, subsequentemente aqui referidos apenas como 25-hidroxivitamina D (25(OD)D). A vitamina D nessas formas deve ser convertida para o hormônio ativo para ser capaz de exercer uma influência biológica com impacto sobre o metabolismo mineral e outras funções fisiológicas. A vitamina D é transportada no sangue através da proteína de ligação da vitamina D (PLD) para o fígado. No fígado, a vitamina D é hidroxilada na posição C-25 por uma ou mais hidroxilases 25 de vitamina D do citocromo P450, o que resulta na formação de 25(OH)D. A 25-hidroxivitamina D é a principal forma de armazenamento de vitamina D. No túbulo renal proximal (TRP), a enzima 1-α-hidroxilase catalisa a hidroxilação de 25(OH)D (Figura 1) na posição do carbono 1 do anel A, resultante na forma hormonalmente ativa da vitamina D, a 1,25-di-hidroxivitamina D (1,25(OH)2D). Também chamado calcitriol, esta é a forma biologicamente ativa da vitamina D, que age sobre os receptores em diferentes órgãos alvo.

A síntese renal de 1,25(OH)D2 é uma etapa fortemente regulada, dada a sua potente atividade na homeostase do cálcio (Figura 1). O cálcio na dieta pode regular vitamina D diretamente através de mudanças nos níveis séricos de cálcio e, indiretamente, alterando os níveis de hormônio da paratireóide (PTH). A 1-α-hidroxilase pode ser suprimida por outros fatores, tais como fósforo e acidose metabólica crônica.6,7 No entanto, elevados níveis de cálcio em circulação e fator de crescimento de fibroblastos-23 (FGF-23) são capazes de suprimir diretamente a atividade da 1-α-hidroxilase renal, através da regulação da transcrição do gene da hidroxilase-α, e indiretamente através da supressão de PTH através de mudanças mediadas por AMPc.8 O FGF-23 é um hormônio produzido pelos osteócitos e é um hormônio circulante crítico envolvido no metabolismo do fosfato.9

Vitamina D no meio extra renal

A evidência sugere que a importância fisiológica da vitamina D prolonga-se para além da regulação do domínio clássico do eixo cálcio-fósforo-PTH. Pesquisas recentes tem demonstrado a expressão de 1-α-hidroxilase em tecidos e órgãos que não os rins. Sugerem ainda que a 1,25(OH)2D exerce uma vasta gama de ações nada clássicas, incluindo efeitos sobre a modulação do sistema imune, a regulação da diferenciação celular, a morte celular programada, a inibição do crescimento celular, o controle do sistema nervoso central, regulação da hipertrofia de cardiomiócitos, a regulação da secreção de insulina e de regulação da pressão sanguínea através do sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS).8,10-14 Experiências laboratoriais demonstraram a expressão da 1-α-hidroxilase em tecidos não-renais e, portanto, a síntese de 1,25(OH)2D em áreas não-renais.15 Além disso, tem sido demonstrado que os RVD intracelulares são expressos como o da mama, pele, próstata, linfonodos, cólon, pâncreas, medula da suprarrenal, cérebro e placenta.16 É provável que a 1,25(OH)2D seja produzida localmente nestes locais para mediar os efeitos biológicos locais no ambiente celular.

FGF-23 e vitamina D

As descobertas de FGF-23 e Klotho têm acrescentado uma dimensão interessante para a nossa compreensão sobre a homeostase da vitamina D.17 A FGF-23 é uma proteína de aproximadamente 32 kDa (251 aminoácidos) e sua região N-terminal contém o domínio homólogo FGF.17 A FGF-23 induz à fosfatúria e tem sido demonstrado que suprime diretamente a atividade e expressão da 1-α-hydroxylase.18 Além disso, a produção de FGF-23 induz a expressão da 24-hidroxilase - enzima responsável pela degradação de 1,25(OH)D2, diminuindo assim a biodisponibilidade da vitamina D.3,19

Klotho é uma proteína de membrana do tipo 1, com um único domínio transmembrana perto do seu terminal-C que se presume ser onde a proteína é ancorada à membrana.20 O receptor FGF-23 Klotho, está envolvido no envelhecimento e tanto o camundongo sem klotho quanto aquele sem FGF-23 sofrem rápido envelhecimento e calcificação vascular.21-24 Outras pesquisas sugerem que a Klotho pode ligar-se a múltiplos receptores FGF e o complexo de receptores FGF-Klotho se liga à FGF-23 com uma maior afinidade do que o receptor FGF ou Klotho isoladamente. A ligação desse complexo pode então ativar eventos de sinalização à jusante.25 O efeito de redução de fosfato que tem o FGF-23 é parcialmente mediado pela expressão reduzida de NaPi-2a e hidroxilase 1α nas células epiteliais dos túbulos proximais. A interação dos túbulos proximal e distal para facilitar funções mediadas por FGF-23 e Klotho é uma questão importante e ainda não solucionada, e uma área muito ativa de pesquisa.

Metabolismo da vitamina D na DRC

O rim é o principal órgão envolvido na produção de formas bioativas de vitamina D a partir de precursores inertes. Consequentemente, a doença renal crônica é um importante fator de risco para o desenvolvimento de deficiência de vitamina D.2 Há vários mecanismos através dos quais a 1,25(OH)2D fica reduzida durante o curso de DRC, começando com a diminuição da disponibilidade do 25(OD)D - substrato para a produção de 1,25(OH)2D26-28 (Figura 2). Uma redução na taxa de filtração glomerular (TFG) limita o fornecimento de 25(OH)D para a enzima 1-α-hidroxilase no túbulo renal proximal e, assim, limita a capacidade do rim em produzir a 1,25(OH)2D.29 Níveis de hormônio fosfatúrico FGF-23 também aumentam no início da DRC, presumivelmente em resposta à retenção de fosfato, que também suprime a produção de 1,25(OH)2D.30 Além destes fatores, pode haver contribuição adicional de potenciais efeitos supressores de fragmentos de carboxila (C)-terminal de PTH na síntese de 1,25(OH)2D.31


Figura 2. O mecanismo que contribui para a redução progressiva nos níveis de 1,25-dihidroxivitamina D (calcitriol).



Deficiência de vitamina D na DRC

O debate e as especulações em torno do papel da suplementação de vitamina D é dificultado pela incapacidade de se chegar a um consenso sobre um ponto de corte para definir a deficiência de vitamina D. A adoção de critérios baseados em níveis de 25(OH)D necessários para suprimir o PTH em populações predominantemente Caucasianas, alguns especialistas têm definido a deficiência de vitamina D em níveis séricos de 25(OH)D < 20 ng/ml e insuficiência relativa de 21-29 ng/mL.30-33 A meta > 30 ng/ml tem sido sugerida como desejável para uma boa saúde.33 É importante lembrar que níveis de 1,25(OH)2D circulantes proporcionam essencialmente nenhuma informação no que diz respeito ao estado nutricional do paciente em termos de vitamina D.

O Workshop Consenso sobre Diretrizes Nutricionais a respeito da Vitamina D (Workshop Consensus for Vitamin D Nutritional Guidelines), publicado em 2010, estimou que mais de 50% das populações mais idosas do mundo não têm níveis satisfatórios de vitamina D.34 A situação em indivíduos mais jovens e na população pediátrica parece ser não diferente.35,36 Estudos epidemiológicos têm demonstrado uma alta prevalência de insuficiência de vitamina D ou deficiência na população em geral,37,38 pacientes com DRC em pré-diálise e diálise crônica.26,39

O Estudo para avaliação de doença renal precoce (SEEK) investigou mais de 1.800 pacientes com DRC em uma ampla faixa de função renal e detectou deficiência de 1,25(OH)2D (< 22,0 pg/ml) em mais de 60% daqueles com TFGe < 30 ml/min/1.73 m2 e deficiência de 25(OH)D (< 15 ng/ml) em 12% dos pacientes.27 Em um estudo transversal, Laclair et al.39 mediram os níveis séricos de 25(OH)D em 201 pacientes com uma TFG média estimada de 27 ± 11 ml/min/1.73 m2 (TFG variando entre 6-69 ml/min/1.73 m2). A média geral dos níveis séricos de 25(OH)D foram de 19 ± 14 ng/ml. Apenas 29% dos 65 pacientes com DRC estágio 3 e apenas 17% dos 113 pacientes com DRC estágio 4 tiveram níveis séricos de 25(OH)D acima de 30 ng/ml. Além disso, 14% dos pacientes com DRC estágio 3 e 26% dos pacientes com DRC estágio 4 tiveram 25(OH)D em nível abaixo de 10 ng/mL.39

Mesmo em um país ensolarado como o Brasil, um estudo transversal com 144 pacientes com DRC sem diálise nos estágios 2 a 5, encontrou 57 pacientes (39,6%) com níveis insuficientes de 25(OH)D (16 a 30 ng/ml).40 No entanto, enquanto este estudo sugere que o nível de vitamina D no Brasil pode ser melhor do que em outros países, ele ainda precisa ser verificado, devido ao conhecimento atual dos efeitos não-calcêmicos propostos para a vitamina D e seu potencial benefício na saúde vascular, resistência à insulina e função imunológica.

A alta prevalência de deficiência/insuficiência de 25(OH)D em pacientes com DRC pode ser parcialmente explicada pela falta de exposição à luz solar em pacientes com doenças crônicas, redução da síntese cutânea de colecalciferol em resposta à luz solar, reduzida ingestão de alimentos que são fontes naturais de vitamina D, e perda urinária de 25(OH)D e PAD em nefropatias proteinúricas.41 Além disso, a megalina renal - proteína de ligação da 25(OH)D no túbulo proximal, diminui à medida que a TFG cai, reduzindo, assim, a reabsorção tubular da 25(OH)D.42 Além disso, a retenção renal de fósforo nos estágios iniciais da DRC pode contribuir para a produção diminuída de 1,25(OH)D diretamente e aumento de FGF-23.43 Recentemente, em um estudo transversal, Figuiredo-Dias e colaboradores44 analisaram 120 pacientes com DRC em estágios de 2 a 5. Eles descobriram diabetes mellitus (Odds Ratio (OR): 3,8; IC 95%: 1,2 a 11,7; p = 0,02) e IMC > 30 Kg/m2 (OR: 4,3 IC 95%: 1,2-15,3, p = 0,02) como fatores de risco independentes para a hipovitaminose D em pacientes não-dializados, mesmo após o ajuste para sexo, cor da pele e da época do ano.

Vitamina D em DRC e Mortalidade

A DRC, com ou sem hemodiálise tem sido consistentemente comprovada como sendo um fator de risco independente para mortalidade por todas as causas e mortalidade cardiovascular em diversas populações.45 Na população com DRC, as evidências coletadas a partir de estudos epidemiológicos apontam para um potencial papel dos níveis, bem como da suplementação de vitamina D, nos resultados de sobrevida em pacientes com DRC independentemente do seu estado dialítico.46-48 Uma recente meta-análise de estudos prospectivos conduzida por Pilz et al.49 estimou uma significativa redução de 14% no risco de mortalidade [RR 0,86; 95% IC (0,82-0,91)] com níveis de 25(OH)D mais elevados em 10ng/ml. A evidência atual também sugere um benefício em sobrevida com a suplementação de vitamina D, que é independente das alterações do cálcio sérico, fósforo ou níveis de PTH, e corrobora um crescente volume de literatura sobre os efeitos não clássicos da vitamina D, além da regulação dos metabolismos ósseo e mineral.47-50 Embora não haja nenhuma explicação direta para os benefícios aparentes em sobrevida associados à vitamina D, evidência indireta pode ser derivada a partir de estudos que mostram uma associação de baixos níveis de 25(OH)D e 1,25(OH)2D a fatores de risco cardiovasculares, incluindo o aumento da atividade da renina, hipertensão, hipertrofia ventricular esquerda (HVE), inflamação, resistência à insulina, diabetes mellitus e albuminúria.51-54

Vitamina D em DRC e doenças cardiovasculares

A deficiência/insuficiência de 25-hidroxivitamina D tem sido recentemente associada a um maior risco de doença cardiovascular (DCV) na DRC e na população em geral.55 Há evidência sugerindo que os fatores de risco não tradicionais decorrentes da DRC estavam associados a dano vascular com ativação de vias inflamatórias.56 Em pacientes com DRC não submetidos à diálise com uma TFGe média de 38 ml/min/1,73 m2 (DP 15), usando métodos não-invasivos de dilatação mediada por fluxo (DMF) da artéria braquial para avaliar a função endotelial, Chitalia e colaboradores57 encontraram uma correlação entre a diminuição dos níveis de 25(OH) e piora da DMF (r = 0,44; p = 0,001). Esta associação entre os níveis de vitamina D e de DMF persistiu em uma análise mais aprofundada utilizando modelos de regressão ajustados para fatores de risco cardiovascular tradicionais. A disfunção endotelial é considerada um marcador de aterosclerose e, assim, substituto para a doença cardiovascular. Estes resultados devem estimular o desenvolvimento de futuros ensaios clínicos para investigar o impacto da suplementação de vitamina D sobre a função endotelial, na tentativa de estabelecer um mecanismo biológico. Apesar do pequeno número de pacientes estudados, a ausência de um grupo controle, e um curto tempo de suplementação, dois estudos recentes têm demonstrado que a suplementação com colecalciferol em pacientes em hemodiálise diminui parâmetros inflamatórios representados pelo aumento da redução de albumina sérica e de ambas a proteína C-reativa e a interleucina-6.58,59 Além disso, eles mostraram melhorara na disfunção cardíaca refletida por níveis mais baixos de PNC (58) e redução no índice de massa ventricular esquerda.59

Os modelos animais têm mostrado que existem outras vias pelas quais a vitamina D pode melhorar ou prevenir a doença cardiovascular. Redução na atividade da RVD aumenta os níveis circulantes de renina e pressão arterial e causa hipertrofia ventricular esquerda e hipertrofia miocítica em ratos geneticamente manipulados.51,53 Camundongos sem a 1-α-hidroxilase desenvolvem hipertensão, hipertrofia cardíaca e redução na função cardíaca, mas o uso de calcitriol parece aliviar a hipertensão e melhorar a função cardíaca nestes animals.60 Estes resultados sugerem que a vitamina D seja um regulador do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e suprime o eixo SRAA.

Os benefícios do paricalcitol na Morbidade Cardíaca Induzida pela Insuficiência Renal (MCIIR).

Um estudo multicêntrico foi formatado para avaliar os efeitos benéficos do paricalcitol na hipertrofia ventricular esquerda em pacientes pré-diálise. No entanto, os resultados do ensaio não conseguiram demonstrar uma redução no índice de massa ventricular ao fim de 48 semanas de suplemento diário de paricalcitol em pacientes com DRC com hipertrofia ventricular esquerda discreta a moderada.61 Entretanto, houve uma redução nas hospitalizações - um interesse secundário da pesquisa. Estes resultados são contrários àqueles de dados observacionais de experimentos com animais e humanos. Uma possível explicação para os resultados é que o paricalcitol pode ter aumentado os níveis de FGF-23 e vários estudos têm mostrado uma ligação entre o FGF-23 e a HVE.62-64 Mais estudos são necessários nesta área.

Vitamina D e albuminúria

Albuminúria é um importante marcador e importante fator de risco para o declínio progressivo da função renal e é considerado por muitos como o primeiro passo para uma progressão inevitável para nefropatia e insuficiência renal. Vários estudos têm mostrado uma relação inversa entre os níveis de vitamina D e de grau de albuminúria65,66 e um efeito anti-albuminúrico de análogos da vitamina D.67 Isakova e colaboradores66 mostraram que os níveis mais baixos de 25(OH)D e 1,25(OH)2D foram associados com albuminúria em pacientes com DRC, independentemente de idade, sexo, raça, pressão arterial e diabetes mellitus. Neste estudo transversal com 1.847 pacientes, eles estimaram um odds ratio 2-3 vezes maior de desenvolver albuminúria para aqueles nos tercis mais baixos da 25(OH)D [OR 3,0; IC 95% (1,3-7,0)] e 1,25(OH)2D [OR 2,6, IC 95% (1,7-3,9)]. A relação linear entre 25(OH)D e albuminúria persistiu após o controle de diferentes níveis de TFGe e uso de inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) e bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA). Além disso, numa análise de subgrupos em 387 pacientes com dados sobre marcadores inflamatórios, encontraram uma concentração plasmática significativamente mais elevada de IL-6, IL-10 e TNF-α na presença de albuminúria.

Achados do estudo VITAL67 proporcionam pistas interessantes sobre o efeito nefroprotetor da vitamina D. Este estudo randomizado controlado com placebo, avaliou o efeito anti-albuminúrico do paricalcitol em 1 ou 2 µg/dia versus placebo em 281 pacientes com nefropatia diabética em DRC estágios 2-4, usando a terapia padrão para controlar a pressão arterial e proteinúria. O desfecho primário de redução da albuminúria (relação albumina/creatinina) só mostrou uma pequena tendência, mas, reduções reversíveis significativas nos resultados secundários às 24 semanas foram observados naqueles randomizados para receber altas doses de paricalcitol (2 µg/dia) incluindo reduções na albuminúria de 24h em -28% (IC 95% -43 a -8, p = 0,009), TFGe (variação entre -3 a -5 ml/min por 1,73 m2, p = 0,001 vs. placebo), e a pressão sanguínea (variação entre -3 e -9 mm Hg, p = 0,033 vs. placebo). A redução na TFGe poderia ser explicada pelo efeito da ativação de RVD com o aumento de geração de creatinina e, por conseguinte, o aumento da creatinina no soro em resposta a paricalcitol como tem sido demonstrado por Agarwal e colaboradores.68

Vitamina D e progressão da Doença Renal Crônica

A redução da albuminúria é uma importante meta na terapia com protetores renais, e a vitamina D demonstrou efeito positivo.67 Ao mesmo tempo, há evidência de que a terapia com vitamina D pode ter o potencial para alterar a progressão da doença renal. A vitamina D pode modificar a hipertrofia e função dos podócitos, como uma barreira de filtração, a expressão de TGF-β, a expressão de MCP-1, o recrutamento de células semelhantes a macrófagos e os linfócitos T efetores.69-73 Estudos com modelos animais71-73 e ensaios clínicos com humanos74,75 têm relatado achados que corroboram a atenuação da progressão da doença renal induzida pela vitamina D. Usando dados do NHANES III, Melamed e colaboradores75 relataram 2,6 vezes maior incidência de doença renal terminal entre os indivíduos com níveis de 25(OH)D < 15 ng/ml em comparação com aqueles com níveis mais elevados após o ajuste para fatores demográficos, socioeconômicos, clínicos e laboratoriais incluindo diabetes mellitus, hipertensão arterial, taxa de filtração glomerular estimada e albuminúria [IRR 2,64, 95% IC (1,00-7,05)]. Ainda não sabemos claramente qual é o papel do FGF-23 na progressão da doença renal crônica, mas alguns estudos o tem mostrado como um preditor independente da progressão da DRC em pacientes com nefropatia diabética e não diabética e em pacientes com DRC.76,77 Contribuições importantes para a compreensão do papel da vitamina D serão publicadas nos próximos anos, com os resultados a partir de ensaios clínicos em curso (NCT01214356); (NCT00552409); (NCT01029002) que avaliarão os seguintes aspectos, respectivamente: a eficácia da suplementação com vitamina D na progressão da doença renal crônica em adultos negros com diabetes tipo 2 e DRC em estágios 1 ou 2; a mudança na excreção de albumina na urina em adultos com diabetes tipo 2 e DRC nos estágios 1-2; e albuminúria em pacientes com DRC nos estágios 3-4 por várias causas. Além disso, importantes contribuições para a compreensão do papel da FGF-23 na progressão da doença renal e os efeitos das diferentes formas de vitamina D sobre os níveis de FGF-23 que estão vindo a partir de estudos de observação contínua (NCT01317173), e de intervenção (NCT00957879), respectivamente.

Vitamina D e o sistema imunológico

A deficiência/insuficiência de vitamina D pode predispor a doenças infecciosas, ao alterar a imunidade inata do indivíduo. As células do sistema imune inato e adaptativo, incluindo macrófagos, linfócitos e células dendríticas expressam os RVD e respondem à estimulação por 1,25(OH)2D.78,79 Tem sido demonstrado que o tratamento com vitamina D in vitro é capaz de modular os níveis de citocinas inflamatórias sistémicas como o TNF-α e a IL-6, e inibir a ativação da vasodilatação induzida por LPS do endotélio vascular.80-81 Recentemente, dois estudos mostraram uma redução significativa na produção de IL-6, IL-8,59,82, e depois TNF82 após suplementação com colecalciferol em pacientes com insuficiência renal terminal em hemodiálise. Portanto, é razoável acreditar que uma deficiência/insuficiência nutricional de 25(OH)D na doença renal terminal (DRT) pode contribuir para uma resposta imune alterada, predispondo o paciente a morbidade e mortalidade precoces a partir da infecção. Resultados de um ensaio clínico randomizado controlado por placebo (NCT 00892099), ainda em curso, avaliando os níveis de catelicidinas, citocinas, e a incidência de infecções em pacientes sob hemodiálise randomizados para doses altas e baixas de ergocalciferol proporcionará uma maior clareza quando forem publicados.

Vitamina D na DRC - O que precisamos para responder

Dada a elevada prevalência da insuficiência e deficiência de vitamina D em pacientes com DRC, o primeiro passo para a correção de anomalias da vitamina D nestes pacientes seria corrigir os níveis de 25(OH)D, a fim de facilitar e manter a produção de 1,25(OH)2D. As atuais diretrizes K/DOQI recomendam o tratamento da doença renal crônica estágio 3 e 4 com formas nutricionais (ergocalciferol ou colecalciferol) de vitamina D quando os níveis de 25(OH)D estão inferiores a 30 ng/mL.33 Nosso conhecimento e experiência atuais sobre a vitamina D, vêm principalmente de vários estudos observacionais e experimentais em laboratório. Os estudos epidemiológicos, mesmo com metodologia rigorosa, são limitados por seus vieses e impossibilidade de provar a causalidade. Muitas questões ainda devem ser esclarecidas, tais como a compreensão de se a terapia de vitamina D melhora determinados desfechos clínicos em pacientes com DRC, seja nutricional; se a vitamina D desempenha um papel importante na melhoria da DRC; o momento adequado para iniciar o tratamento com vitamina D; a frequência e a dose de administração de vitamina D (diariamente ou em dose de indução (bolus)); o benefício de suplementação nutricional de vitamina D em pacientes com DRC estágio 5; se a vitamina D pode retardar a progressão da DRC; compreender o papel dos efeitos não clássicos da vitamina D e se a produção local em tecidos não convencionais é fundamental para essas ações; se 1,25(OH)2D sistêmica isoladamente seria suficiente para melhorar a sobrevida. Grandes ensaios clínicos randomizados (ECR) rigorosos são necessárias para responder pelo menos algumas destas questões.


CONCLUSÃO

Deficiência/insuficiência de vitamina D é uma condição comum que afeta a população em geral e populações especiais, tais como pacientes com DRC. Além dos efeitos sobre o metabolismo dos ossos e minerais, baixos níveis séricos de 25(OH)D têm sido associados à mortalidade por todas as causas e cardiovascular, bem como o aumento do risco de comorbidades, tais como doenças cardiovasculares, infecções, disfunção renal em geral e DRC. A expressão generalizada de RVD em muitos sistemas e órgãos constitui a base biológica para as ações pleiotrópicas e não-esqueléticas teorizadas da vitamina D. Essas propriedades incluem a inibição do SRAA, proteção do endotélio, modulação imunológica e ações anti-inflamatórias. A este respeito, a deficiência de vitamina D está associada com a resistência à insulina, hipertrofia ventricular esquerda, proteinúria, aterogenicidade, diminuição da trombólise, desequilíbrios do sistema imunológico, susceptibilidade a infecções e manutenção da inflamação. Mais ensaios clínicos randomizados são necessários para determinar se a suplementação de vitamina D poderia reduzir eventos cardiovasculares futuros, a taxa de progressão da doença renal e o risco de mortalidade de indivíduos com DRC, bem definir com mais precisão o agente terapêutico, a dose, o tempo de administração, parâmetros de monitoramento e as indicações para o tratamento com vitamina D.


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1. Faculdade de Medicina Albert Einstein
2. Departamento de Medicina, Divisão de Nefrologia - Faculdade de Medicina Albert Einstein

Correspondence to:
Antonio Jose Inda Filho
Faculdade de Medicina Albert Einstein
1300 Morris Park Avenue, Ullmann 615 Bronx
New York, 10461, USA
E-mail: antonio.de@einstein.yu.edu

Submitted on: 07/13/2012.
Approved on: 05/17/2013.


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